a brisa da noite é leve e gelada
a brisa da noite trás de volta, por um breve momento, o sentimento de vida
de volta de um transe quase mortal
me movo lentamente, como se estivesse arquitetando cada passo enquanto concentro-me em não enlouquecer.
no silêncio, a vida se esvai, o declínio me pega pelas mãos e me toma para uma dança, uma última...
antes de me levar por completo.
segunda-feira, 10 de junho de 2019
quarta-feira, 1 de maio de 2019
o adeus
quarta-feira, 1 de maio de 2019
isso é uma carta de despedida. até que
enfim.
percebi que estava perdida quando até as minhas roupas lembravam-te. a bebida cheia de teor alcoólico remetia ao sabor dos teus lábios, e isso não é uma metáfora bonitinha. lugares que nunca havia ido contigo também lembravam-te e não sei o diabos porquê, havia partes tuas em tudo.
as sensações que tive quando fostes embora, eram, primeiramente, de que nunca mais voltaria - por mais que me forçava a acreditar que iria sim -, a segunda, foi de que havia levado uma parte importante de mim mesma.
quando fostes embora de fato, me vi perdida e sem direção, não me reconhecia. o corpo que morava não era mais meu, porque lhe entreguei cada pedacinho dele até não me restar nada.
cê foi a primeira pessoa que tive a coragem - e que coragem - de mostrar os meus textos e em todos eles te pedi para que não me machucasse. tu nunca disse que não o faria.
deveria ter percebido o caos que se aproximava quando deixou de me olhar nos olhos e quando o toque mais parecia calculado. tenho uma parcela de culpa nisso, admito. quando estava tudo desmoronando tentava colocar os pedacinhos nos seus devidos lugares, porque me recusava acreditar que o amor da minha vida estava me deixando.
quando fostes embora de fato, a minha ficha demorou a cair e quando caiu, doeu. céus, como doeu. senti a dor penetrando cada partícula, cada veia, cada átomo, tudo doía até tornar-se física. e, então, chorei. chorei mares e não parecia o suficiente. passei noites acordada na esperança de receber uma mensagem tua.
quando fostes embora de fato, precisei lutar contra eu mesma, precisava lutar contra toda e qualquer lembrança e o mais importante, precisava lutar para me recuperar. precisava me reconhecer, precisava ser minha novamente. e fui criando forças, por mais que existam mais dias difíceis e que parecem que nada do que tenha feito foi o suficiente, ainda tenho que continuar até não sobrar nenhum resquício teu em mim. tô me despedindo porque contigo não era minha e ainda existem milhares versões de mim mesma que preciso conhecer e reconhecer. há uma vida toda sem ti.
talvez a minha intensidade tenha sido demais.
quando fostes embora de fato, tive medo. medo porque te tornei base para os meus pés tocarem quando tudo estivesse fora de órbita. te coloquei num altar inalcançável. tu era dono de toda a minha devoção. as coisas só eram coisas se tu estivesse nelas. e só.
quando a tua presença não existia mais, me vi num lugar branco, onde estava completamente sozinha. todavia, precisava reconstruir tudo. minha vida estava começando de novo ali. havia uma versão minha antes de você, uma contigo, e uma depois de ti. por mais quebrada, ainda prefiro a versão depois de ti. porque a mesma tá descobrindo um mundo todo, e milhares de outras coisas incríveis. a importância dessa versão é absurda, não há mais nada que poderá dizer o contrário.
não vou te agradecer por isso, não vou te agradecer por algo que consegui sozinha.
isso é uma carta de adeus, porque preciso me despedir, por mais que já tenha feito isso bem antes de mim. preciso me despedir, porque tô me livrando das amarras cada dia mais. preciso me despedir porque tô me reconhecendo e quero fazer isso sem você.
isso não é um até logo. adeus.
a confusão está nos olhos de quem vê
o coração descompassado dói com a presença daquele que um dia já o fez encher-se de amor. a esperança esvai-se conforme os olhos se desencontram. o corpo pesa, os órgão internos explodem e cada vértebra dobra e desdobra num coro de socorro. eu não sei quem sou.
segunda-feira, 29 de abril de 2019
esperança e escapatória
segunda-feira, 29 de abril de 2019
manhãs quentes com o café que faz morada nos costumes matinais. tem coisa que a gente percebe depois que vai embora, o que não é imaginável que faria falta, hoje faz.
crio vários mantras para suportar atravessar os dias, o da vez é "aquilo já é passado". repito isso internamente para me lembrar que agora é outra coisa, tenho essa mania de viver com saudade. tem dia que a saudade incomoda e preciso me livrar dela. não é saudável viver relembrando e querer estar ali novamente, não todos os dias. lembro do passado sempre que os meus passos parecem dificultar e pendem-se ao abismo. escrevo para me desfazer, ter que passar por sentimentos desconfortáveis é pesado, porém necessário. escrevo para aprender a me desprender e encerrar ciclos.
cada um encontra sua esperança onde pode.
crio vários mantras para suportar atravessar os dias, o da vez é "aquilo já é passado". repito isso internamente para me lembrar que agora é outra coisa, tenho essa mania de viver com saudade. tem dia que a saudade incomoda e preciso me livrar dela. não é saudável viver relembrando e querer estar ali novamente, não todos os dias. lembro do passado sempre que os meus passos parecem dificultar e pendem-se ao abismo. escrevo para me desfazer, ter que passar por sentimentos desconfortáveis é pesado, porém necessário. escrevo para aprender a me desprender e encerrar ciclos.
cada um encontra sua esperança onde pode.
saudade.
é isto, não é? a vida é feita de saudade. e nós também. somos movidos à saudade porque somos feitos de resquícios de momentos já vividos. a gente respira saudade pulsa saudade. a gente é inteiramente saudade.
essa imagem é o motivo da minha saudade atual. motivo da minha contagem regressiva. sempre que vejo fotos de todos os momentos vividos lá, a nostalgia me abraça e me toma. tem dia que tá ok lidar com isso, tem dia que não. em cada foto se passa um filmezinho do que tava acontecendo no momento. sei que são coisas que jamais voltarão, às vezes é ruim pensar sobre isso, às vezes é bom, porque ainda tem coisa pela frente. podemos aprender a sentir paz pelo inesperado, deixar um pouco a ansiedade de lado. meio difícil, nos dias de hoje deixar o sentimento com "a" ir embora, parece que ele faz parte das artérias, da epiderme. é um trabalho árduo lidar com sentimento que a gente não entende. tô aprendendo devagarzinho, erro mais que acerto. não sei se tá tudo bem, mas eu quero aprender com isso. sinto saudade do meu eu do passado. do meu eu que viveu esses momentos todos, porém, tava refletindo e o eu de agora tá sendo feito e tá nas minhas mãos, tenho que prepará-lo para viver inúmeras coisas novas (e aprender com elas), tenho que trabalhar para deixá-lo forte e saber suportar mais. sou feita de saudade, entretanto, posso aprender a ser feita de agora.
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
falta
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
essa é mais uma carta que você nunca lerá.
sinto como se estivesse em pedaços a cada vez que percebo a tua distância. rezei todos os dias para que aqueles sonhos fossem realidade, rezei para a dor acabar, mas só consegui me sentir em pedaços cada vez menores. conforme você se afastava era como se algo me quebrasse um pouco mais.
primeiro o teu silêncio cortante. logo depois a distância. e eu me perdi. completamente. de novo.
escrevo assim, bem pausadamente para que eu possa digerir cada palavra.
isso é como um pesadelo.
todos os meus planos cabiam você, agora não existem nem os planos.
nenhum cheiro é melhor que o teu, nenhuma voz é mais bonita que a tua, ninguém me faz sentir como eu me sentia contigo. e eu só peço que isso acabe.
sentia a mesma empolgação de quando eu estava com você, de uma criança quando ganha um brinquedo novo, justamente aquele que ela almejava tanto.
cê é a supernova depois das minhas explosões.
sinto como se estivesse em pedaços a cada vez que percebo a tua distância. rezei todos os dias para que aqueles sonhos fossem realidade, rezei para a dor acabar, mas só consegui me sentir em pedaços cada vez menores. conforme você se afastava era como se algo me quebrasse um pouco mais.
primeiro o teu silêncio cortante. logo depois a distância. e eu me perdi. completamente. de novo.
escrevo assim, bem pausadamente para que eu possa digerir cada palavra.
isso é como um pesadelo.
todos os meus planos cabiam você, agora não existem nem os planos.
nenhum cheiro é melhor que o teu, nenhuma voz é mais bonita que a tua, ninguém me faz sentir como eu me sentia contigo. e eu só peço que isso acabe.
sentia a mesma empolgação de quando eu estava com você, de uma criança quando ganha um brinquedo novo, justamente aquele que ela almejava tanto.
cê é a supernova depois das minhas explosões.
ler isso ouvindo vermilion pt. 2
foi em uma dessas manhãs esquisitas no final da primavera em que algo dentro de mim se quebrou, foi um barulho ensurdecedor, no qual fui a única que pude ouvir, meus olhos viraram mar por um instante e a sensação não foi nem um pouco boa, pois me senti pequena, pequena demais para debater, para continuar, para qualquer coisa. te observei ir embora, não disse nada, só deixei que fosse. o que poderia fazer? naquele momento nada me pareceu sensato. deus, como dói. me consumiu por inteiro a dor do arrependimento, da partida, do silêncio. do teu silêncio que foi me levando ao declínio rápido demais. rezei para não ser real, nada do que eu vi, do que eu ouvi, do que eu senti, entretanto, a dor estava presente para me lembrar que sim, tudo aquilo era real. e então eu chorei, chorei como se o mundo fosse acabar, era o que eu acreditava naquele dia.
ele tinha ido e não havia droga nenhuma a se fazer.
pedi com todas as minhas forças para que aquele maldito dia acabasse logo. não acabou, parece que continua até hoje. é como se eu nunca tivesse saído e você sequer tivesse entrado. e eu ainda posso sentir tudo se quebrando aqui dentro, cada vez em que eu vejo uma foto tua, que eu escuto aquela música, ou quando eu passava naqueles lugares.
doeu como o inferno quando você me tratou com frieza, era como se tudo estivesse desabando - mais uma vez -, e o que eu achei que não pudesse piorar, piorou.
enquanto eu lutava para que você saísse de mim, vinha o meu coração em contrapartida me obrigando a te deixar ficar.
nunca encontrei uma forma para lhe mostrar que o amor que tenho por ti é a coisa mais forte que sinto. acho que foi por isso que cê foi embora.
desculpa.
ele tinha ido e não havia droga nenhuma a se fazer.
pedi com todas as minhas forças para que aquele maldito dia acabasse logo. não acabou, parece que continua até hoje. é como se eu nunca tivesse saído e você sequer tivesse entrado. e eu ainda posso sentir tudo se quebrando aqui dentro, cada vez em que eu vejo uma foto tua, que eu escuto aquela música, ou quando eu passava naqueles lugares.
doeu como o inferno quando você me tratou com frieza, era como se tudo estivesse desabando - mais uma vez -, e o que eu achei que não pudesse piorar, piorou.
enquanto eu lutava para que você saísse de mim, vinha o meu coração em contrapartida me obrigando a te deixar ficar.
nunca encontrei uma forma para lhe mostrar que o amor que tenho por ti é a coisa mais forte que sinto. acho que foi por isso que cê foi embora.
desculpa.
